Zona Crítica divulga no oco desse mundo

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A Zona divulgou, nos últimos dias, conteúdos promocionais de seu curta-metragem intitulado no oco desse mundo. O filme, dirigido por Vinicius Rodrigues e Vianna Neto, em parceria com a bandavoou, traz a seguinte sinopse:

“Os vocalistas do conjunto pernambucano bandavoou estrelam este conto musical. PC Silva é um músico frustrado, que se entregou a uma vida cansativa e rotineira, até um encontro utópico com Carlos Filho, um artista de rua, em uma mesa de bar, ressuscitar suas chances em um mundo de composições, poesia e onirismo.”

Aqui você confere o banner, o pôster, o making of e o trailer da produção, que deve correr festivais e também participar de um evento de exibição-teste junto com os fãs da banda em breve.

Acesse e curta a fanpage!

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X-Men – Apocalipse

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Hora de falar sobre o novo X-Men – Apocalipse, mais um filme genérico de super-heróis. Não fosse a produção massiva do gênero nos últimos anos, provavelmente ele perduraria por mais tempo, até mesmo décadas. Contudo, há saturação e, com ela, é muito difícil não sofrer do mal do déjà vu. Fica a impressão que tudo aquilo que poderíamos ver em uma obra assim, já foi visto, e será necessária muita criatividade dos seus idealizadores se desejarem surpreender o público. Não à toa, filmes como Guardiões da Galáxia são tão inesperados e viram hits. E olhem que não sou nenhum detrator do filão. Na verdade, gosto da maior parte das obras que saíram até então: Soldado Invernal, os dois primeiros X-Men e o Primeira Classe, Batman e Batman – O Cavaleiro das Trevas, Thor – Mundo Sombrio, o primeiro Homem de Ferro e até mesmo o novo Batman vs Superman – A Origem da Justiça.

Logo, tendo adorado tanto a obra de Matthew Vaughn, gostaria muito que esta trilogia reboot dos mutantes tivesse atingido o sucesso (em termos criativos, já que de público não há o que se discutir). Primeira Classe inaugurou uma nova era, meio que revisionista, para os super-heróis, apagando o mal deixado por Confronto Final. E como havia escopo para ser trabalhado ali. Quando a franquia voltou para o colo de Bryan Singer, contudo, este não se deu nem ao trabalho de manter aquilo que o cineasta anterior havia criado. Logo migramos de uma obra de ação, mas que trabalhava seus personagens de maneira quase visceral, para o puro espetáculo da destruição, poderes e batalhas. Magneto entrou num ciclo de vai-e-vem, ora indo contra Xavier, ora auxiliando-o, o que se repete em X-Men – Apocalipse, e seus dramas interiores retrataram apenas a mesma faceta de personalidade, sem denotar qualquer evolução ou involução, nenhum vilão foi mais interessante que aquele criado por Kevin Bacon e os mutantes que surgiam parece que vinham apenas para mostrar seus poderes e um vislumbre de passado e personalidade.

O que se vê neste terceiro nada mais é que a mera repetição de filmes anteriores, só que pior. Mercúrio faz mais uma ceninha engraçada e interessante, mas que soa completamente deslocada do resto do filme, como se fosse uma esquete (tanto o é que o personagem surge do nada na mansão Xavier e, da forma como aparece, jamais teria como prever o que estava para ocorrer antes de resolver usar seus poderes em tempo), Magneto está mais uma vez dividido, o vilão é quase genérico, apenas para movimentar o roteiro e criar um caos cada vez mais universal (levando-nos a questionar como eles superarão mais e mais suas escalas de ameaça em próximos filmes) e tudo aquilo que poderia ser minimamente interessante, como o relacionamento daqueles adolescentes e suas máculas, foi retirado no corte final, sobrando um amontoado de reciclagens, inclusive de Logan e a arma x.

Ainda que trilha sonora e design de produção sejam chamativos e destaquem-se – exceto este último ao tratar dos quatro cavaleiros, já que seus poderes associados às lendas bíblicas jamais surgem em tela -, é evidente que X-Men – Apocalipse mal consegue prender a atenção do espectador e criar alguma tensão. São muitos personagens a se lidar em uma projeção já inflada de duas horas e meia, assim como fazia O Confronto Final ou faz o mais recente Capitão América – Guerra Civil, e a escala é grandiosa demais (e surpreendentemente sem peso físico, já que estamos diante de alguém que pretende ser deus sobre a população do planeta, mas não se preocupa em quase dizimar praticamente todos os seus escravos em cenas em que só vemos poeira, rochas e metal voarem) para que nos sintamos minimamente entretidos.

Soou a mim como um filme ruim de Roland Emmerich e, para piorar, disposto a deixar finais abertos para continuações já no gatilho, mania irritante dos filmes do gênero atuais.

Carlos Filho & PACHKA – o som, a palavra, o improviso

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Da primeira vez que conferi a nova proposta de Carlos Filho (vocalista e compositor da bandavoou) e do duo PACHKA, fiquei intrigado, mas não sabia ao certo se tinha saído grato ou não. Era uma experiência diferente, nada confortável se levarmos em conta aqueles shows que já sabemos exatamente como começarão e terminarão. Sobretudo, tinha críticas a fazer. Como havia feito uma entrevista com Carlos dias antes da primeira apresentação, uma expectativa tinha sido gerada e, em partes, não correspondida: a performance teatral do músico, as conexões de uma narrativa, alguns erros de uma provável rotina pequena de ensaios; estes aspectos faltaram ou falharam.

Porém, determinado a revisitar o espetáculo e o meu prisma, meu ponto de vista, a pedido do vocalista tornei a conferir este “o som, a palavra, o improviso”, já sabendo antecipadamente que Carlos Filho tinha, amigavelmente, ouvido minhas críticas e focado parte dos esforços de melhoria nelas.

E que show! Um salto de uma apresentação para outra. Tudo o que havia de bom foi trazido de volta. Tudo o que precisa mudar, mudou. E o que se viu no palco quase circular do Sesc Santo Amaro foi uma jornada única, de músicas aparentemente assíncronas, conectadas entre si por um fio tênue, na qual a percepção precisa estar em tom máximo para se fazer perceber os detalhes, as minúcias. Mas não que a obra em movimento seja seletiva quanto ao seu público. Mesmo que a narrativa em questão não seja captada, pode facilmente ser sentida.

“O som e a palavra” traz um jovem sertanejo que, já com os pés em sua cova, relembra as ruas da saudade e seu passado nos sertões, na caatinga; suas crenças e fé. Então, parte para a cidade e deslumbra-se por suas luzes e cores, algumas até alienígenas, como um disco voador. Lá, conhece as dores de uma grande paixão, que nasce, cresce e fenece, à beira do oceano. Conta com um círculo de amigos para curar suas dores de cotovelo, e pelas cores pululantes, é possível dizer até que sua reunião rendeu alguns bons momentos alucinógenos – não há cura melhor.

A última luz pulsante,

Os batimentos cardíacos,

“Por ser ignorante, era um misterioso”,

Um saudoso que perdera coisas pelo caminho,

Até o louvor de sua morte, o seu enterro,

Quando canta um padre, um pastor

Dissentindo a tudo.

E “o improviso”, bem… A ele coube um desfecho apoteótico, de potenciais exaltados, exalados.